Documentário Chegança 40 Anos de Migração
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Today: 19.Sep.2017
ENTREVISTA PORTAL MTPOLITICA
12.Nov.2013

A produtora executiva do documentário Chegança, fala sobre os desafios da produção do filme.

Entrevista especial com Lis Deriz - Diretora Executiva do documentário "Chegança" 40 anos de migração em Mato Grosso.

Por: Elizeu Silva

Em conversa exclusiva ao Portal MTPolitica, Liz Deriz confidencia do que vem por ai nos próximos meses, para o setor cinematográfico mato-grossense.
Lis Deriz - Diretora Executiva do documentário
Lis Deriz - Diretora Executiva do documentário
Foto de MTPolitica

Num bate papo informal Lis dá detalhes da mais nova produção da sua equipe, ou seja, um documentário que irá relatar 40 anos de migração em Mato Grosso. “Chegança”, esse é o nome do relato que vai contar sob a ótica do “chegante” e “nativos”, a história dos sulistas que vieram povoar Mato Grosso, a partir década de 70.

Com riquezas de particularidades, a diretora discorre desde os momentos em que pessoas aguerridas deixam a cidade de origem para povoar novas regiões do Centro Oeste. Segundo o IBGE, pelo menos 40% da população do Brasil é fruto de movimentos migratórios e Mato Grosso não seria contrário.

Sendo assim Lis acredita, que o documentário “Chegança” será um recorte deste movimento sulista que expandiu fronteiras agrícolas, criou cidades e um novo cenário socioeconômico, para Mato Grosso.

Para nos dar a dimensão do que será a grandeza do documentário, a diretora destaca a etinerância da produção que desce ao extremo Sul do país e vem percorrendo os caminhos do migrante. Foram utilizados equipamentos de última geração, sob a coordenação do documentarista Cosme Hainer.

Para as riquezas e fidelidade dos registros, essa equipe percorreu Mato Grosso, o Sul e parte do sudeste do Brasil, ouvindo as histórias de imigrantes que vieram para o Centro Oeste brasileiro, no período de 1970 a 2010.

A história do desenvolvimento do Mato Grosso, nas últimas três décadas, pode ser perfeitamente compreendida com base nos slogans que marcaram os governos dos presidentes: Afonso Pena e Washington Luís: "governar é povoar" e "governar é abrir estradas", respectivamente. E foram os gaúchos, em grande parte, responsáveis pelo vanguardismo e ocupação em massa de regiões até então inóspitas ou pouco habitadas.

Hoje, Mato Grosso representa muito no cenário nacional. É campeão brasileiro em crescimento econômico e na geração de empregos formais, com mais de 400 mil novas frentes de trabalho. É o único estado do País que cresceu 76% de sua riqueza. Para além desta exuberância econômica, o estado tem hoje um novo perfil cultural: o encontro de povos propiciou um cenário diferente e novo. O Documentário – “Chegança 40 anos de migração em Mato Grosso”, retratará parte desta importante história do povo brasileiro.

Perfil: 
Aos 45 anos, Lis Andréa Barbosa Deriz é natural de Rondonópolis. É publicitária com formação acadêmica em Comunicação, pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Fala os idiomas: Inglês, espanhol e italiano. Lis se especializou em Publicidad y Audiovisual I Expert, pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha. Também foi no país ibérico que ela concluiu Mestrado em ‘Globalização e Estado do Bem Estar Social’, desta vez, pela Universidad Pontifícia de Salamanca. Hoje, Lis atua como consultora e reside em Brasília, cidade onde a Capital Marketing tem sua matriz. Antenada como o mundo da comunicação e coorporativo, Lis aperfeiçoou se em Comunicação Institucional, WEB Marketing, Redes Sociais, Propaganda e Pesquisa.

Entrevista:

MTPolitica - Como surge a ideia desse documentário?
Lis Deriz - Bem, somos uma equipe. Eu, o Hainer diretor do filme e nosso roteirista Arlindo Teixeira, começamos a cogitar a ideia de realizar algo que marcasse essa trajetória de desenvolvimento de Mato Grosso por meio do viés antropológico, ou seja, sob a ótica de quem viveu a história, naquele momento. Ao depararmos com as narrativas do livro ‘Uma Cruz em Terranova, de Norberto Schwantes’, sentimos inspirados para desenvolver algo que registrasse e ajudasse os “chegantes”, “nativos” e “voltantes” a contar a própria história, foi daí que surgiu a ideia de realizarmos “Chegança – 40 anos de migração em Mato Grosso”, um documentário, onde os relatos determinam a construção da narrativa.

MTPolitica - O que são “chegantes e voltantes”, que você se referiu?
Lis Deriz – São termos da nomenclatura do filme que dizem respeito daqueles que vieram e aqui permaneceram, sobretudo, os migrantes oriundos do sul, porque nosso recorte limita-se ao período de 1970 a 2010, onde Mato Grosso recebeu um grande contingente de imigrantes desta região. Então, os que chegaram e permaneceram são os “chegantes”, os que vieram e retornaram às suas origens, são os “voltantes” e os nativos, são os mato-grossenses que de alguma forma receberam este novo morador.

MTPolitica - Como organizar um filme um período tão extenso e ao mesmo tempo, também intenso de nossa história?
Lis Deriz - Este fato foi nosso primeiro grande desafio. Mas veja, os acontecimentos históricos e forma como estas pessoas chegaram nos deram a senha para construção do roteiro, já que foi a ocupação se deu concretamente nos espaços geográficos, portanto, sistematizamos o conteúdo por meio de rotas geograficamente delimitadas.

MTPolitica – Como assim?
Lis Deriz - Rotas da ocupação, dividindo-as em: Rota Leste, toda região que vai de Barra do Garças a ao alto Xingu. Rota 163, equivale de Cuiabá a Alta Floresta. Rota Oeste, de Cuiabá passando por Tangará e chegando a Sapezal e, Rota Sul, região de Rondonópolis.

MTPolitica – Mas o ponto inicial da história, onde é?
Lis Deriz - Iniciamos os registros lá em Torres no Rio Grande do Sul. Percorremos as cidades do Sul que contribuíram mais efetivamente com a movimentação populacional em direção ao “Oeste”, passamos em uma região especifica do Paraná, também. Claro, que o que aconteceu naquele período histórico, com toda a riqueza de detalhes que só a vida apresenta, não conseguiríamos transpor para o cinema, porém, o audiovisual e principalmente, os relatos deixaram o documentário muito interessante.

MTPolitica - O documentário já está pronto?
Lis Deriz – Ainda não, pois estamos na fase de produção, mas já é possível perceber a atmosfera do documentário. Quando finalizarmos, entraremos no momento que considero o mais importante que será a audiência dele.

MTPolitica - É difícil desenvolver projetos culturais no Brasil?
Lis Deriz - Não é nada fácil, idealizamos e tramitamos o projeto em um tempo estimado de dois anos, e mesmo assim, devemos percorrer mais dois anos de trabalho. E aqui, quero fazer jus ao Grupo Amaggi, que foi a primeira empresa a se sensibilizar com nosso projeto, e nos apoiou efetivamente.

MTPolitica - Mas, o Brasil não conta com uma lei de incentivo para isso? 
Lis Deriz – (risos), Mas, o entrave maior para produzir cultura no Brasil são os incentivos. Já houve um avanço neste sentido, por meio das leis de incentivos, mas ainda precisamos desenvolver muito mais. Hoje, o documentário “Chegança” conta com incentivo da Lei Rouanet, e nos, como muitos produtores, após termos os projetos aprovados, temos que dedicar tempo e esforço em reunir empresas incentivadoras.

MTPolitica – Quanto tempo terá esse documentário?
Lis Deriz - 52 minutos no total.

MTPolitica – Não é pouco, diante de vasto período pesquisado e tanto tempo de produção?
Lis Deriz – De forma alguma. Pode parecer pouco diante de tanto tempo para produzir, mas não é. Claro, serão horas e horas de filmagem para sintetizarmos tudo em menos de uma hora. Há cenas de diálogos com conversas duradoras que serão editadas em minutos ou até segundos. É como se peneirássemos o produto por várias vezes, para se apurar “aquilo” de mais fiel que aconteceu na época.

MTPolitica – Como vocês imaginam divulgar esse trabalho?
Lis Deriz - Planejamos uma sessão de cinema aberto em todas as cidades que percorremos durante a construção do documentário. Ao todo são 30 cidades em Mato Grosso, oito no Rio Grande do Sul, seis no Paraná. Num segundo momento, também contaremos com exibição nas TVs públicas de Mato Grosso e Brasil. Temos também o apoio do sistema CNA e Famato.

MTPolitica – Muita viagem e muitas coisas pra contar?
Liz Deriz – (risos).....sim! Longas viagens, tanto no espaço como no tempo, comandada pelo diretor Cosme Hainer, apoiado por nossa produtora, a jornalista Ieda Barros e toda equipe de produção.

MTPolitica – Para satisfazer minha curiosidade e daqueles que terão acesso a esta informação, qual é a previsão do lançamento do documentário em Mato Grosso?
Lis Deriz – Nosso cronograma prevê para o mês de março do ano que vem. Desse feita, estamos apressando os trabalhos naquilo que pode, já que recebemos convite para participar de uma feira internacional, em Milão na Itália, para exibição do documentário e na sequência, queremos percorrer Mato Grosso, não apenas produzindo, mas sim exibindo “Chegança”.